Glossário

O glossário a seguir, foi elaborado a partir de Leite (2018)  e Ripoll; Custódio e Matos (2018), e serve de introdução aos termos tratados pela comissão:

Clickbait

Corresponde ao conteúdo (geralmente título ou “chamada” da informação/notícia) que tem o objetivo de atrair atenção para um link a ser clicado, que leva a um site externo e que faz com que esse click gere lucro ao seu criador (ROCHLIN, 2017). O clickbait funciona, assim, como um complemento na disseminação da desinformação, pois quanto mais uma desinformação veiculada por clickbait é disseminada, maior o lucro do seu produtor.

Deepfake

Criação de vídeos falsos feitos por manipulação de imagens em cima de um material audiovisual já existente. Utilizando um software de inteligência artificial, o desinformante troca a face de pessoas que aparecem numa gravação por outras, basta que se tenham registros visuais digitais de quem se quer atribuir o registro audiovisual. Sua utilização tem sido tanto para criar pornografia com celebridades quanto para “viralizar” declarações de figuras políticas que nunca aconteceram (ROOSE, 2018).

Disinformation

Ação informacional de um dado não verdadeiro, feita de forma intencional (FLORIDI, 2010). Na disinformation, existe a intenção consciente de enganar (desinformar) alguém (FALLIS, 2010).

Fact check

Tradução: “checagem de fatos”. Ação realizada por agências ou equipes especializadas (exemplos: Agência Lupa, Snopes, Aos Fatos) para verificar se uma informação é verdadeira ou não.

Fake news

Notícias falsas. Trata-se da desinformação dentro do meio jornalístico, criada por portais e sites de origem incerta e caráter duvidoso, que não fazem parte de algum grupo de mídia estruturado e não possuem transparência quanto ao seu processo editorial (LAZER et al., 2018). Alguns estudos (como Vosoughi, Roy e Aral (2018)) argumentam, porém, que o termo fake news já vem sendo distorcido nos discursos políticos e, portanto, recomendam o uso da expressão false news na elaboração de estudos acadêmicos e científicos.

Fatos alternativos

Do inglês alternative facts, surgiu no início de 2017, num discurso dos assessores do presidente norte-americano Donald Trump com relação ao número de pessoas que compareceram na posse presidencial. Em uma entrevista, uma assessora de Trump justificou como baseada em “fatos alternativos” a divulgação da equipe presidencial sobre o número, que estava sendo questionado como uma inverdade pela imprensa (GAJANAN, 2017; JAFFE, 2017).

Hiperinformação

Segundo Moretzsohn (2017), é a alienação causada pelo excesso de informações. Esse excesso cria, assim, um cenário no qual o indivíduo, sobrecarregado cognitivamente, não consiga analisar corretamente tudo o que ele consome informacionalmente. Assim, acaba assimilando informação falsa ou truncada junto com a informação válida.

Informação

Dados bem formados, possuidores de significado e verdadeiros (FLORIDI, 2010).

Information literacy

Traduzido mais recentemente como “competência em informação”, corresponde aos processos de aprendizado sobre localização, avaliação e uso efetivo da informação, e de saber reconhecer quando e qual informação é necessária para atender determinada demanda informacional.

Media literacy

Em português como “competência midiática”, remete aos processos de leitura crítica das mensagens transmitidas pelos meios de comunicação midiática. Segundo Dudziak, Ferreira e Ferrari (2017), a tendência devido ao atual contexto da sociedade em rede é a unificação dos termos das literacies, criando assim a Media and Information Literacy (MIL).

Misinformation

Ação informacional de um dado não verdadeiro, feita por engano (FLORIDI, 2010).  Na misinformation, ocorre um “engano honesto” na disseminação (ou seja, o disseminador não sabe que se trata de uma desinformação) (FALLIS, 2010).

Pós-verdade 

Eleita a palavra do ano em 2016 pelo dicionário Oxford, seu significado “denota ou se refere a circunstâncias em que fatos objetivos são menos influentes na formação da opinião pública do que apelos à emoção e crença pessoal” (OXFORD UNIVERSITY PRESS, 2018, p.1, tradução nossa). Trata-se, portanto, de um instrumento de retórica política muito comum e não necessariamente novo, mas que assumiu uma nova dimensão no contexto da internet e das redes sociais.